CBF implementa Sistema de Sustentabilidade Financeira para clubes das Séries A, B e C em 2026


A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) oficializou a implementação do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), novo marco regulatório que estabelece diretrizes de controle de gastos e solvência para os clubes das principais divisões do país a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida visa substituir o histórico de endividamento sistêmico por um modelo de gestão baseado em transparência e equilíbrio operacional.

O novo regulamento fundamenta-se em três pilares principais: monitoramento de dívidas vencidas (Overdue Payables), teto de gastos com folha salarial (Squad Cost Rule) e requisitos de equilíbrio (Break-even).

CONTROLE DE CUSTOS E ESCALONAMENTO
O pilar central do SSF é a limitação dos gastos do departamento de futebol — incluindo salários, encargos, comissões e amortizações de transferências — em relação à Receita Operacional Líquida (ROL). A CBF definiu uma transição gradual para que as equipes atinjam o padrão de eficiência internacional.

SOLVÊNCIA E EQUILÍBRIO OPERACIONAL
O monitoramento de dívidas será realizado em três janelas anuais (março, julho e novembro). Clubes devem comprovar a liquidação de obrigações com outros clubes, funcionários e autoridades fiscais para a manutenção da licença de competição.

Para a Série A, o déficit máximo aceitável foi fixado em R$ 30 milhões ou 2,5% da receita anual, prevalecendo o menor valor. Em modelos de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), eventuais prejuízos acima deste teto deverão ser cobertos por aportes diretos dos acionistas, restringindo o uso de alavancagem bancária para financiar déficits de operação.

REGRAS DE MULTIPROPRIEDADE E VALOR DE MERCADO
O regulamento introduz restrições à multipropriedade para garantir a integridade competitiva. Grupos econômicos ficam proibidos de exercer controle sobre dois clubes na mesma série. Além disso, transações entre clubes do mesmo grupo econômico serão auditadas sob o critério de Valor Justo de Mercado (Fair Market Value), visando impedir a manipulação de preços em transferências ou contratos comerciais.

SANÇÕES
O descumprimento das normas, após o período de transição, sujeita as entidades a punições que variam de multas pecuniárias ao Transfer Ban (impedimento de registro de atletas) e perda de pontos em competições nacionais.

DIRETRIZES DE INVESTIMENTO E EXCLUSÕES
Para incentivar o crescimento estrutural e o desenvolvimento de ativos de longo prazo, o regulamento do SSF permite a exclusão de despesas específicas do cálculo do déficit operacional. Não são contabilizados para fins de sanção os aportes destinados a:
Futebol Feminino: Recursos alocados para o fomento e manutenção da modalidade;
Infraestrutura e Tecnologia: Obras em centros de treinamento, estádios e implementação de sistemas de análise de dados;
Categorias de Base: Investimentos diretos na formação de atletas.

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